Cronologia
1946

10 de Janeiro
Abertura da primeira sessão da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU).

5 de Março
Discurso de Winston Churchill em Fulton (USA): “de Stettin, no Báltico, a Trieste, no Adriático, uma cortina de ferro se abateu sobre o continente”.  

3 de Abril
Tem início em Londres a Conferência Internacional dos Cereais, na qual a URSS se recusou a participar.

Na conferência sobre o abastecimento de cereais na Europa, o ministro da Economia, Supico Pinto, diz que o Governo português tomará medidas enérgicas para utilizar da melhor forma os stocks de trigo existentes. Manifesta o seu receio quanto às restrições alimentares já postas em execução em Portugal e a sua dependência da importação de cereais até à próxima colheita.  

3 de Abril
É lançada a campanha “Produzir e Poupar”, através da nota do Presidente do Conselho, Oliveira Salazar, publicada nos jornais.  

3 de Agosto
O Governo português apresenta por telegrama, em Nova Iorque, o pedido de adesão do País à Organização das Nações Unidas (ONU).  

31 de Agosto
A União Soviética veta a entrada de Portugal na ONU.  

4 de Setembro
Oliveira Salazar difunde a nota oficiosa “Portugal e as Nações Unidas (ONU)”, publicada nos jornais de 4 de Setembro de 1946, referindo, entre outros aspectos, ter sido a pedido da Inglaterra e dos EUA que havia sido solicitada a admissão de Portugal.  

10 de Outubro
Revolta da Mealhada. Tentativa de insurreição militar contra o regime.   

 
1947

4 de Fevereiro
Remodelação governamental, traduzindo um equilíbrio entre as duas principais famílias políticas do Regime, a ala "conservadora", afecta a Santos Costa, e a ala "reformista" conotada com Marcelo Caetano. José Caeiro da Matta assume o Ministério dos Negócios Estrangeiros. José Frederico do Casal Ribeiro Ulrich é nomeado ministro das Obras Públicas e Comunicações. Daniel Barbosa é empossado ministro da Economia; será com a sua política de estabilização, que irá terminar a economia de guerra.

12 de Março
Anúncio da “Doutrina Truman”.  

5 de Junho
Discurso de George Marshall em Harvard. O Secretário de Estado dos EUA anuncia ser intenção do seu Governo apoiar os países europeus na sua obra de recuperação económica se estes acordarem na realização de um programa concertado entre si e com os EUA.  

16 de Junho
Os ministros dos Negócios Estrangeiros de França (Georges Bidault) e Inglaterra (Ernest Bevin) dirigem ao seu homólogo russo (Molotov) um convite para tomar parte nas discussões preliminares com vista à elaboração de um plano que desse satisfação às propostas de George Marshall.  

21 de Junho
João António de Bianchi, embaixador de Portugal em Washington, é instruído para entregar ao governo dos EUA uma nota na qual o Governo Português anuncia dar o "seu apoio ao Plano Marshall na medida das suas possibilidades".

27 de Junho
27 de Junho a 2 de Julho.
Na sequência do convite franco-britânico à URSS, realiza-se uma conferência dos três ministros em Paris. Molotov recusa a oferta americana.  

3 de Julho
Os ministros francês e inglês dirigem um convite aos restantes países europeus, com excepção da Espanha, para a realização de uma conferência destinada a realizar o plano que a sugestão de Marshall reclamava.

Portugal é convidado a participar na 2ª Conferência de Paris. 

12 de Julho
12 a 15 de Julho

Conferência de Paris. Dezasseis países reúnem-se em Paris a fim de analisar a proposta Marshall. A Checoslováquia, que inicialmente aceitara o convite franco-britânico, não se apresenta na Conferência. Constitui-se uma Comissão de Cooperação Económica Europeia (CCEE), encarregada de elaborar um programa de reconstrução da Europa utilizando o auxílio americano.  

27 de Agosto
Parecer do ministro das Finanças, João Pinto da Costa Leite (Lumbrales), determinante para a decisão oficial portuguesa de declinar o auxílio financeiro Marshall e esclarecer a posição de Portugal na CCEE, impondo alterações e reajustamentos nas instruções que vinham sendo veiculadas a partir de Lisboa e transmitidas em Paris.  

22 de Setembro
Assinatura, em Paris, do Relatório Geral elaborado pelas 16 nações europeias.

José Caeiro da Matta, ministro dos Negócios Estrangeiros, profere um discurso em que divulga que Portugal decidira declinar a utilização do auxílio financeiro americano.  

9 de Outubro
Visita a Portugal de Senadores e membros da Câmara dos Representantes dos EUA, no quadro dos comités de investigação para o Plano Marshall que, autorizados pelo Congresso americano, viajaram por toda a Europa em Missão oficial durante o Verão e Outono de 1947.  

18 de Novembro
Assinatura do primeiro Acordo de Pagamentos e de Compensações entre os países europeus.

25 de Novembro
25 de Novembro a 18 de Dezembro

A Conferência dos Quatro em Londres evoca uma "última chance" mas acaba sem resultado positivo. Fim do Directório das potências aliadas. Atmosfera de pessimismo.

“Miséria e Medo”, discurso proferido por Oliveira Salazar numa sala da biblioteca da Assembleia Nacional.

 
1948

Deterioração acentuada da situação financeira e cambial portuguesa. A balança de pagamentos, que exibira um superavit de 4543 milhões de escudos em 1942, desceu para 509 em 1946 e registou um saldo negativo de 2970 milhões de escudos em 1947.

27 de Janeiro
O Conselho de Ministros decide rejeitar o Plano Marshall.  

2 de Fevereiro
Assinatura de um acordo entre o Governo português e o Governo dos EUA do Norte, concedendo às forças militares deste país facilidades nos Açores.  

21 de Fevereiro
21 a 25 de Fevereiro. Golpe de Praga. 

17 de Março
Criação da União da Europa Ocidental (Pacto de Bruxelas), entre a França, a Grã-Bretanha e os Estados da Benelux.

3 de Abril
EUA. Aprovação da Lei da Cooperação Económica (como parte da Lei de Assistência Externa), que estabelece as condições de ordem organizativa e administrativa e os meios financeiros necessários à implementação do European Recovery Program (ERP) (Plano Marshall). É outorgada ao primeiro ano de execução do programa (globalmente perspectivado até 30 de Junho de 1952), uma ajuda financeira de 4,3 mil milhões de dólares destinada ao fornecimento de bens económicos a que se juntava 1 milhão de dólares em créditos. São criadas e definidas as funções do organismo do governo americano responsável pela gestão do programa, Economic Cooperation Administration (ECA), é definida a nomeação de um representante especial do administrador e do governo dos EUA na Europa e a constituição de uma missão especial de cooperação económica em cada país participante, dirigida por um chefe nomeado pelo administrador da ECA.  

16 de Abril
É assinada, em Paris, a Convenção Económica Europeia criando a Organização Europeia de Cooperação Económica (OECE). São signatários: Áustria, Bélgica, Dinamarca, França, Grécia, Irlanda, Islândia, Itália, Luxemburgo, Noruega, Holanda, Portugal, Reino Unido, Suécia, Suíça e Turquia.
Portugal é membro fundador. 

7 de Maio
7 a 10 de Maio. Congresso de Haia, reunido sob a presidência de honra de Winston Churchill; fundação do Movimento Europeu.

9 de Julho
O general Norton de Matos anuncia a sua candidatura à Presidência da República.

25 de Agosto
Criação da Comissão Técnica de Cooperação Económica Europeia (CTCEE); foi seu primeiro presidente o engenheiro Araújo Correia.  

28 de Setembro
Assinatura, em Lisboa, do Acordo Bilateral de Cooperação Económica entre Portugal e os EUA, por José Caeiro da Matta e Lincoln Mac Veagh, embaixador dos EUA. Os termos do acordo consideram Portugal na qualidade de país não beneficiário de assistência financeira.  

16 de Outubro
Adopção do programa de reconstrução para o primeiro ano (1948-1949). Assinatura do Acordo de Pagamentos e de Compensações entre os países europeus para 1948-49.

Remodelação ministerial. António Júlio de Castro Fernandes substitui Daniel Barbosa na pasta da Economia. Castro Fernandes mantém-se no cargo até 2 de Agosto de 1950.

Portugal assina o Acordo de Pagamentos e de Compensações entre os países europeus para 1948-49. 

25 de Outubro
É criado, em Bruxelas, o Movimento Europeu. 

17 de Novembro
Parte para Paris a delegação chefiada pelo Presidente da CTCEE a fim de apresentar e discutir o “Programa Económico Português” na OECE. O plano foi elaborado em Setembro de 1948, aprovado em Conselho de Ministros em Novembro e apresentado e defendido no mesmo mês na OECE, que determinou a sua reformulação. O programa foi sujeito a uma revisão bastante significativa, marcando uma alteração importante quanto aos objectivos económicos a prosseguir nos anos seguintes.  

 
1949

7 de Janeiro
George Marshall demite-se. Dean Acheson é o novo Secretário de Estado dos EUA.

29 de Janeiro
Criação, em Moscovo, do Conselho de Assistência económica mútua (COMECON) (URSS, Bulgária, Hungria, Polónia, Roménia e Checoslováquia).

14 de Fevereiro
É publicado o Portugal Country Study, documento elaborado pela Economic Cooperation Administration (ECA) destinado a apreciar a situação da economia portuguesa e analisar as possibilidades de atribuição de ajuda do European Recovery Program (ERP) a Portugal. Como contraproposta aos 106 milhões de dólares solicitados para o primeiro ano, a ECA sugere que sejam atribuídos a Portugal 10 milhões de dólares. 

17 de Fevereiro
O Conselho da OECE cria um Grupo Consultivo de Ministros destinado a assistir o Presidente do Conselho na apreciação das questões mais importantes que se coloquem à organização. O Conselho, tem a representação de 7 países e é presidido por Paul Henry Spaak.

É enviado um telegrama do Ministério dos Negócios Estrangeiros para a delegação de Portugal em Dublin esclarecendo posição portuguesa em relação ao Conselho da Europa.  

26 de Março
O Conselho da OECE adopta as propostas do Grupo Consultivo, nomeadamente o Plano de Acção para 1949-50.

É criado o Fundo de Fomento Nacional (decreto-lei nº 37 354).  

4 de Abril
Assinatura do Pacto do Atlântico em Washington por doze Estados litorais criando a NATO / Organização do Tratado do Atlântico Norte.

Portugal é um dos membros fundadores.  

5 de Maio
Assinatura do Estatuto do Conselho da Europa, em Londres (cinco membros do Pacto de Bruxelas, Itália, Irlanda, Dinamarca, Noruega e Suécia).  

7 de Junho
Em Conselho de Ministros, Oliveira Salazar declara que a situação económica e financeira do País é gravíssima. Dos créditos solicitados ao abrigo do Plano Marshall (60 a 100 milhões de dólares), somente serão concedidos cerca de 10 milhões.  

1 de Setembro
A OECE divulga o relatório sobre a repartição do auxílio norte-americano, directo e direitos de saque, aos diferentes países membros, a conceder no ano 1949-50.

Para Portugal a proposta é de 33 milhões de dólares de auxílio directo e 27 milhões de dólares em direitos de saque.  

13 de Outubro
A OECE revela terem sido estabelecidas reduções nas propostas de auxílio aos países europeus em 1949-50, com o objectivo de se constituir um fundo de reserva no valor de 150 milhões de dólares.

Portugal receberá 31,5 milhões de dólares a título de ajuda directa, ao abrigo do auxílio Marshall, e não os 33 milhões inicialmente indicados.

24 de Novembro
Chega a Lisboa Averrel Harriman, embaixador especial do Governo norte-americano junto dos 18 países participantes do ERP. Harriman manteve uma entrevista com Oliveira Salazar durante hora e meia, em que também esteve presente Rui Teixeira Guerra, delegado permanente de Portugal em Paris.  

 
1950

23 de Janeiro
Os ministros dos Negócios Estrangeiros dos cinco países da Europa Ocidental, reunem-se em Paris a fim de discutir o projecto de União Económica e Monetária Europeia.

22 de Fevereiro
Paul Hoffman, director geral da Administração de Cooperação Económica, declara aos jornalistas que Portugal irá receber 23 500 000 dólares pelo Plano Marshall, sendo 1 930 000 para equipamento industrial e mineiro.  

24 de Abril
Chega a Lisboa o primeiro carregamento de trigo de cerca de 3 mil toneladas de trigo, tractores, automóveis ligeiros, incluindo demais carga, proporcionado a Portugal no âmbito do plano Marshall.  

28 de Abril
Chega a Portugal o segundo carregamento de bens e material Marshall, entre os quais 10 000 toneladas de trigo, completando a quantidade de 15 000 toneladas de trigo no valor de 1 035 000 dólares que Portugal tinha sido autorizado a adquirir ao abrigo da ajuda americana.  

9 de Maio
Paris. Robert Schuman, ministro dos Negócios Estrangeiros francês, profere um discurso 'inspirado por Jean Monnet' em que propõe colocar em comum os recursos de carvão e de aço entre a França e a Alemanha, através da criação de uma organização aberta aos outros países da Europa. A criação duma Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (CECA) entre a Franca e a Alemanha, e outros países interessados. A 2 de Junho a Grã-Bretanha recusa juntar-se ao projecto.  

25 de Junho
Início da guerra da Coreia.  

30 de Junho
É publicado na imprensa uma primeira nota, elaborada pela CTCEE, divulgando os montantes e fazendo o balanço do primeiro ano de utilização da ajuda Marshall a Portugal. As notícias relativas à distribuição e aplicação dos financiamentos atribuídos a Portugal ao abrigo do Plano Marshall foram divulgadas amiúde e detalhadamente pelos meios de comunicação, muitas vezes a partir de notas oficiais da Presidência do Conselho ou de informação prestadas pela embaixada dos EUA e pela missão da ECA em Portugal.  

10 de Julho
Chegam a Portugal cerca de sessenta estudantes da Universidade do Vermont com o objectivo de estudar a forma como opera o Plano Marshall nos países nele participantes.  

2 de Agosto
Remodelação governamental. São nomeados: Águedo de Oliveira, ministro das Finanças; Ulisses Cortês, ministro da Economia; Paulo Cunha, ministro dos Negócios Estrangeiros. É criado o Ministério da Presidência para o qual é nomeado João Pinto da Costa Leite (Lumbrales).

3 de Agosto
A Comissão Técnica de Cooperação Económica Europeia (CTCEE) e o Fundo de Fomento Nacional passam para a dependência do Presidente do Conselho.  

12 de Agosto
Winston Churchill propõe, no Conselho da Europa, a criação de um Exército europeu.  

19 de Setembro
Os 18 países participantes da OECE assinam em Paris um acordo que institui a União Europeia de Pagamentos (UEP), destinada a multeralizar o sistema de pagamentos intraeuropeus.

O Gabinete do Ministro da Presidência faz publicar a seguinte nota: Assinou-se em Paris o acordo para a União Europeia de Pagamentos de que Portugal é associado como participante na Organização de Cooperação Económica. Enaltece-se a importância daquele acto, porque além de constituir prova bastante significativa do espírito de cooperação que anima os países da Europa Ocidental - cooperação aliás que o nosso País tem preconizado e de que tem dado insofismáveis provas -, a União vem facilitar enormemente as liquidações monetárias intra-europeias e concorrer, concomitantemente, para a intensificação das permutas.  

7 de Outubro
Paris. René Pléven propõe a criação duma Comunidade Europeia de Defesa (CED).

5 de Novembro
A Emissora Nacional inicia a transmissão de uma série de programas de natureza musical através da qual procura dar a conhecer aos vários países da Europa e da América a música de cada um deles e os progressos feitos em matéria de recuperação económica. Uma das séries mais divulgada, e de carácter mais popular, chamada «Eis a Europa», é transmitida semanalmente sendo os programas dedicados a cada um dos países da Europa. A adaptação dos programas a Portugal era assegurada por Fernando Pessa. 

 
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