CUNHAL, Álvaro Barreirinhas PDF Imprimir e-mail

Nasceu em Coimbra a 10 de Novembro de 1913. Frequentou o ensino primário em Seia e o ensino liceal em Lisboa, tendo-se matriculado na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa aos 17 anos. Datam desse período os seus primeiros contactos com o Partido Comunista Português. Foi representante dos estudantes no Senado da Universidade de Lisboa e militante na Liga dos Amigos da URSS e no Socorro Vermelho Internacional.

Tornou-se secretário-geral da Juventude Comunista em 1935 e em 1936 ingressou no Comité Central do PCP. Esteve preso entre 1937 e 1938. Em 1940 foi novamente detido, concluindo na prisão licenciatura em Direito. No ano seguinte, assumiu funções de regente do Colégio Moderno com a missão de acompanhar os estudos dos alunos. Foi nessa condição que travou conhecimento e estreitiou relações com Mário Soares.

Ao longo da década de 40 envolveu-se numa luta de facções pela direcção efectiva dos destinos do partido, da qual saiu vencedor, num processo que ficaria conhecido como a reorganização do partido. Preso pela terceira vez em 1949 e julgado em Tribunal Plenário protagonizou, em 1960, juntamente com outros dirigentes comunistas, uma aparatosa fuga do forte de Peniche. Em 1961, depois de se fixar em Paris, foi eleito secretário-geral do PCP, cargo que se encontrava vago desde a morte de Bento Gonçalves em 1942.

Regressou a Portugal a 30 de Abril de 1974, vindo de Paris, e integrou o I Governo Provisório, liderado por Palma Carlos, como ministro sem pasta, funções que manteve nos II, III e IV Governos provisórios, chefiados por Vasco Gonçalves. Foi eleito deputado à Assembleia Constituinte em 1975 e à Assembleia da República entre 1976 e 1992.

Membro do Conselho de Estado desde a sua criação, em 1982, até 1992. Álvaro Cunhal revelou enormes reservas quanto à integração de Portugal da CEE chegando a afirmar, em conferência de imprensa realizada em 1987, que esta seria «desastrosa para a economia e a independência nacional», manifestando-se contrário a uma futura união política e «à definição supranacional da política externa portuguesa». Aliás, o XII Congresso do PCP, realizado no Porto em 1988, aprovou uma resolução na qual era recusada a liberalização do mercado de capitais e a adesão do escudo ao Sistema Monetário Europeu, apelando à renegociação do Tratado de Adesão. Abandona o cargo de Secretário-geral do PCP no XIV Congresso realizado em 1992, passando o testemunho a Carlos Carvalhas.

Morreu em Lisboa no dia 13 de Junho de 2005.

 
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