SOARES, Mário Alberto Nobre Lopes PDF Imprimir e-mail

Filho do professor e político João Lopes Soares, nasceu em Lisboa a 7 de Dezembro de 1924. Em 1951 concluiu a licenciatura em Ciências Histórico-Filosóficas pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, tornando-se professor e director do Colégio Moderno, fundado pelo pai.

Opositor ao Estado Novo, foi membro do Movimento de Unidade Nacional Anti-Fascista (MUNAF), em 1943, integrou a direcção do Movimento de Unidade Democrática (MUD) e esteve na origem do MUD juvenil, em 1946.

Secretário da Comissão Central da Candidatura de Norton de Matos em 1949, fez também parte do Directório Democrático-Social em 1955 e apoiou a candidatura de Humberto Delgado à Presidência da República em 1958.

Em 1957 licenciou-se em Direito, novamente pela Universidade de Lisboa, exercendo advocacia nos anos seguintes e dedicando-se à defesa de presos políticos no Tribunal Plenário e Tribunal Militar Especial.

Várias vezes detido pela PIDE, em sequência da sua actividade contra o regime, acabaria por ser deportado para S. Tomé em 1968, exilando-se em França a partir de 1970. Durante este período de exílio leccionou nas Universidades de Vincennes (Paris VIII), Sorbonne (Paris IV) e ainda na Faculdade de Letras da Universidade da Alta Bretanha, em Rennes.

Em 1973, foi eleito Secretário-Geral do Partido Socialista (PS), constituído a partir do Congresso da Acção Socialista Portuguesa realizado na Alemanha em 1973. Regressou a Portugal depois da Revolução de 25 de Abril de 1974, desempenhando o cargo de ministro dos Negócios Estrangeiros nos três primeiros Governos Provisórios e ocupando o lugar de ministro sem pasta no IV Governo Provisório, do qual veio a demitir-se, protestando contra o “caso República”.

Em 1976 foi nomeado Primeiro-Ministro do I Governo Constitucional, funções que ocupou até 1978. Este período ficaria marcado pela contracção de um empréstimo financeiro junto do Fundo Monetário Internacional, com vista à estabilização da actividade económica portuguesa, pela reabsorção dos portugueses retornados das ex-colónias e pelas primeiras reformas legislativas do novo aparelho democrático, previsto pela Constituição aprovada em 1976.

Assumiu também a liderança do IX Governo Constitucional (coligação PS/PSD), de 1983 a 1985, período em que se concluíram as últimas negociações para a integração de Portugal na CEE, resultando na assinatura do Tratado de Adesão em 1985. Depois do rompimento da coligação governativa, Soares foi candidato e venceu as eleições presidenciais, em Fevereiro de 1986, tornando-se o primeiro Presidente da República civil do regime democrático posterior ao 25 de Abril. Em 1991 foi novamente eleito por mais cinco anos.

 
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