1946-09-01 PDF Imprimir e-mail
Transcrição da notícia publicada em O Século sobre o veto da União Soviética à admissão de Portugal na ONU em Agosto de 1946.

"Londres 31 - «A Rússia usou, mais uma vez, o seu direito de veto no Conselho de Segurança, com uma ousadia que ameaça colocar o sistema das Nações Unidas numa situação ridícula» - escreve o jornal conservador «Daily Telegraph».

Para reprovar os pedidos de entrada da Irlanda, de Portugal de da Transjordânia, o delegado soviético não apresentou outra razão senão a de a Rússia não ter relações diplomáticas com esses países; mas não hesitou em apoiar o pedido da Moingólia, que só tem relações diplomáticas com um outros país al´me da Rússia. Mais franca negação de todos os príncipios não seria dificil de imaginar. Nem os negócios internacionais, nem quaisquer outros poderão ser condizidos de tal maneira. O veto, em si, representa uma situação realista dos factos tal como eles são. Quando se chega ao uso da força para a resolução de uma disputa a Carta das Nações Unidas tem de pressupor a unidade entre as grandes portências e é evidentemente impotente sem ela. Esse é o fundo essencial do veto, e o único fim para o qual ele deveria ser admissível.  

Por outro lado, pervertido, como tem sido até agora o seu sentido, em duas ocasiões, pela Rússia, para servir a fantasia de uma única grande potência, em assuntos ligados com uma ameaça à paz, poderá apenas reduzir o coselho de Segurança à completa inanidade, pelos menos. Se se tornar o instrumento de desvirtuação sistemática da vontade da maioria, a Carta das Nações Unidas poderia deixar de existir"… 

"Portugal foi vetado pela ONU por não ter relações com a Rússia" in O Século de 1 de Setembro de 1946.

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