1950-06-30 PDF Imprimir e-mail
Nota de divulgação da aplicação do Plano Marshall em Portugal em 1914/1950 preparada pela CTCEE publicada em 11 jornais diferentes entre os dias 9 e 12 de Julho de 1950.

Terminou em 30 de Junho do corrente ano o primeiro ano do Plano Marshall, em que Portugal comparticipou, e mostra-se portanto evidente a vantagem de recapitular quanto se passou em relação ao aproveitamento da ajuda concedida ao nosso país pelos Estados Unidos da América do Norte. Ponderando por outro lado a profusão de notícias de origem diversa que dia a dia aparecem e poder levar a uma apreciação menos exacta e concreta do assunto, torna-se necessário recordar um certo número de factos que concorrem para a apreciação da situação presente. Se bem que a decisão da Administração do Plano Marshall concedendo uma ajuda ao nosso país fosse tomada no início do segundo semestre de 1949, a possibilidade do seu aproveitamento foi bastante retardada. O atraso teve por causa a necessidade de cumprirmos numerosas formalidades exigidas a quantos recebem, pela primeira vez, uma comparticipação da ajuda concedida à Europa. Assim se explica que a comunicação da primeira autorização de compra, emanada da Economic Cooperation Administration, só tivesse sido recebida nos últimos dias de Fevereiro. Desta forma ficou reduzido a pouco mais que quatro meses o período disponível de aproveitamento da ajuda correspondente ao ano de 1949-50 e que abrange 12 meses compreendidos entre 1 de Julho de 1949 e 30 de Junho de 1950. No entanto, o tempo perdido no princípio recuperou-se graças à cooperação activa e ao bom entendimento sempre manifestados pela Administração do Plano, em todos os seus escalões – nos EUA e em França também em Portugal, através da sua missão especial estabelecida em Lisboa – e o organismo oficial português especializado, por si ou por suas delegações em Washington e Paris. Assim desde Março, as autorizações de compra emanadas pela ECA e a chegada de mercadorias sucederam-se sem interrupção, num ritmo acelerado. Chegou-se desta forma ao dia 30 de Junho em que as autorizações concedidas – primeiras de uma série de compras efectuadas – elevaram-se a 31,44 milhares de dólares, ou seja, um valor superior, em moeda portuguesa, a 906 000 contos. Consequentemente, a totalidade da ajuda disponível de 31 milhões e 500 mil dólares apenas não foram aproveitados 56 mil dólares. Atendendo-se à dificuldade de ajustar o somatório dos pedidos apresentados a uma quantia exacta e como nem sempre os valores autorizados são idênticos aos solicitados, a diferença de 56 mil em 31 milhões e meio é realmente pequena. E nem sequer representa prejuízo definitivo, porque esta quantia será tomada em conta dos ajustamentos finais das contas. O valor total de autorizações de compra obtidas nestes quatro meses, e que se eleva a 31,444 milhares de dólares, como acima foi dito, distribuem-se, de uma forma geral, da maneira seguinte : 12,957 milhares para pagamentos de cereais; 8,649 para equipamentos diversos; 8,148 para produtos petrolíferos e 570 para diversas mercadorias. Para os fretes marítimos das mercadorias foram destinados 1,120 milhares de dólares. Na verba 248,659 contos destinada a equipamentos destacam-se: 95,220 contos para material de tracção para caminhos de ferro (locomotivas Diesel eléctricas); para os primeiros maquinismos destinados a uma fábrica de celulose e pasta de papel 57,500; 26,996 para apetrechamento de empresas de produção e transporte de energia eléctrica; para material de estaleiro para obras de irrigaçã 17,250 e para material agrícola e equipamentos para fabricação de produtos azotados 6,354 e 3,766, respectivamente. Do remanescente da verba atribuída a equipamentos destacam-se ainda: 2,645 para aparelhagem de laboratório de investigação e 8,453 contos para maquinismos distribuídos a diversas empresas (cimentos, minas, têxteis, fabricações metálicas, etc.) A considerar ainda a verba de 23 000 contos que se destina à importação de peças separadas e sobresselentes para veículos automóveis de origem americana com o fim de os poder manter em circulação, evitando um dispêndio importante de dólares livres. Das mercadorias indicadas já chegaram a Portugal: 54 000 toneladas de cereais no valor de 4,600 milhares de dólares e cerca de 2300 toneladas de produtos petrolíferos de valor igual a 204 milhares de dólares. Estão actualmente dependentes da aprovação 48 000 toneladas de cereais no valor de 3 260 milhares de dólares e cerca de 2 900 milhares de dólares para equipamentos diversos. Só dentro de alguns meses se acentuará a chegada dos maquinismos adquiridos, porque é necessário aguardar que sejam executados as respectivas encomendas, pois que, para algumas delas, os prazos de entrega são por vezes, longos.

“Portugal e o Plano Marshall" in Diário de Notícias, de 9 de Julho de 1950, pp. 1 e 5. 

 
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